Escrever ou não escrever, eis a questão!

Durante a Pandemia do Covid19 que está acontecendo atualmente (e quem sabe, terminando?), qualquer questão se torna pequena. Vivemos um período em que vemos amigos e parentes infectados, alguns não sobrevivem e somamos quase 1% de mortes em todo o país, que pode parecer uma baixa estatística, mas estamos falando de vidas, de pessoas… E é impossível não se sensibilizar com tudo isso.

Durante esses meses, desde fevereiro para cá, eu tenho acompanhado a pandemia com bastante medo. Leio e escrevo distopias o suficiente para saber que o mundo mudou, que não será fácil e que a mídia e o governo pensarão nos seus interesses e não nos da população.

Sigo estressada, não consigo escrever e nem mesmo iniciar um trabalho. Vou na maré, andando conforme as ondas vêm e vão… E me levam. Nesse período, muitas editoras puseram alguns livros gratuitos, alguns autores e autoras, fizeram o mesmo. Cursos, canais do youtube e até o Big Brother Brasil ganhou proporções estrondosas (e apenas serviu para fomentar a polaridade da população brasileira e suas incansáveis discussões).

No meio de tudo isso, escrevi quatro livros, no formato noveleta. Não publiquei com meu pseudônimo conhecido (Verona Wynter) e nem no meu nome (Mari Moura). Eles estão por aí, apenas rodopiando o meio literário ocultamente, pois foram uma válvula de escape, quando deu.

Estou desde fevereiro em casa, o que soma mais ou menos 1 livro por mês, de 30 mil palavras por aí, sendo produzido, sem compromisso com personagens, enredo, etc… apenas porque sim. Incluve, alguns fazem mashup juntando personagens de outras histórias minhas, tipo, um fanfic do meu próprio trabalho.

Eu escrevo porque….

Para pessoas como eu, escrever é intrínseco a alma. Ouso dizer, que não se escreve para vender, até porque para pessoas como eu a Amazon não é sinônimo de renda, mas de gastos, custa mais ser autor, porque não se ganha nem mesmo um centavo! Mas escrever faz parte de um “lavar por dentro” da nossa alma, onde colocamos para fora pensamentos que nos perturbam, retratamos situações que vivenciamos (ou imaginamos, que para o cérebro, dá no mesmo — ei, isso é bem científico).

Mas o caso é que recentemente, já tem umas 4 semanas, não escrevi NEM UMA LINHA. Eu me peguei pensando nos porquês dos porquês e dos porquês. Acompanhei tretas literárias com autores/as brigando por besteira de novo e de novo e de novo… Isso não é muito saudável para mim, que sou sensível, mas acredito que não seja saudável para ninguém, mesmo!

Eu gosto muito de escrever, de inventar histórias, como hobbie e terapia, mas adoraria ter uma carreira promissora, brilhante e de sucesso. Mas não tive. Primeiro, porque não estou afim de toda a exposição que isso está atrelado, eu ter que por minha cara nas redes sociais, aparecer… Essas coisas. Sei que tem gente que usa máscara, mas eu não me sinto confortável fingindo ser quem não sou. Ao menos, não me sinto assim, vencedora nesse aspecto.

Mas escrever é bom. Terapêutico, como eu já citei. E escrever nesse período se torna quase uma necessidade. Às vezes, eu quero escrever, mas acabo não escrevendo, porque não tem uma história produtiva para sair dali, nem vai para lugar nenhum, eu nem mesmo posso vender o que escrevi, porque é tão viagem da minha cabeça que ninguém gostaria de ler.

Produzir, é o problema:

E eu me pego pensando se por acaso escrever se tornou “produzir”. Fazendo vários cursos como tenho feito, escrever se tornou “orquestrar um enredo”. Eu penso num personagem e não vejo mais ele como alguém que poderia existir, mas uma caricatura com um comportamento dominante em exagero, transbordando todas as páginas, todas as falas, todos os diálogos… E sim, isso gera consistência na escrita, mas confesso que tenho vergonha alheia de ler algo assim… Não soa natural, mas forçado por um “autor”, forçado porque as pessoas perderam sensibilidade, precisam ver coisas enormes, sentir sentimentos avassaladores… E se perdeu o sentir simplesmente.

Obviamente me sinto triste diante disso na escrita. As tais “fórmulas de sucesso” que conheço todas, repasso para meus amigos e outros autores, afinal, eles querem ter sucesso, eu quero!, mas não tive, entende? E sou aquela maluca que sabe todas as fórmulas, mas sofre ao escrever uma, porque o personagem engessa nos comportamentos, não evoluem naturalmente, “se consertam” quando atingem o ponto 5 da fábula aristotélica, ou se estrepam. Não tem meio termo, o equilíbrio é desinteressante para o autor.

Gostamos de ler histórias de pessoas fodidas se dando bem. Mocinhas virgens predadorizadas por um CEO fodão. O meio LGBT tem ido pelo mesmo caminho do hétero: misógino, machista, degradante. Onde a vitória é o grandioso amor… E não é mais apenas amar ou viver, porque isso é pouco perto da grandiosidade exacerbada que os leitores procuram em um livro.

Sabe, tenho pensado muito nisso ultimamente e não cheguei exatamente a nenhuma conclusão além do óbvio: ninguém quer ler sobre um personagem que seja pessoa comum, nem vivenciar relacionamentos verossímeis nos livros, nem julgar predadores, nem nada. As pessoas só querem sentir algo porque suas almas parecem estar nulas.

As pessoas perderam a sensibilidade e precisam de tudo exagerado. Vivemos a era do exagero: de tretas, de paixonites agudas, de cancelamentos na internet, um extremismo perigoso, eu diria! Um extremismo que olha para 1% da população morta e acha pouco. Acha uma estatística “ok”.

Eu não acho. Eu não concordo. Eu sou um alien.

É por isso que não escrevo mais com tanto prazer como antes, que me desanimo com o meio literário. Porque ele reflete tudo isso, sabe? Mas a escrita… Ah, ela continua terapêutica….

E isso vai dar pano para uma mudanças nos rumos por aqui: novos cursos, novos propósitos, novos modelos de escrita.

E que assim seja.

[Freebie]: 30 ideias de enredo rápido

Resolvi fazer mais uma ferramenta para quem vai entrar no NaNoWriMo esse mês de novembro e se desafiar a escrever 50 mil palavras em 30 dias (de 1 a 30 de novembro).

É um PDF com pequenos prompts; ou seja, ideias de enredo prontas, que você pode utilizar para movimentar sua história.

Estão numeradas de 1 a 30, mas não precisa seguir os números, ok?

Baixe aqui:

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E aproveite!

[Freebie]: Quadro de Enredos para o NaNoWriMo 2019

O National Novel Writing Month (NaNoWriMo) ocorre todo Novembro e como de praxe, sempre faço um freebie relacionado a esse evento. Esse ano decidi fazer um quadro de enredo de escrita criativa. Continuar lendo “[Freebie]: Quadro de Enredos para o NaNoWriMo 2019”

[Dica+Freebie]: Crie um banco de dados!

Em especial, gosto de criar banco de dados de ideia perto do NaNoWriMo (National Novel Writing Month), pois tenho o hábito de participar da maratona.

Um banco de dados de ideias de enredo, personagens e subtramas, colabora para quando estou sem ideias de como seguir a história. Sou ousada, uso um sorteador online numérico para sortear a ideia que vou usar, mas você pode ler tudo e simplesmente escolher a que você prefere que aconteça na sua história.

Continuar lendo “[Dica+Freebie]: Crie um banco de dados!”

Comece com uma frase de impacto!

É o meu primeiro conselho quando faço coaching na oficina de escrita, ou com autores com quem tenho contato.

A primeira frase do seu livro tem uma importância gigantesca para fazer o leitor possuir vontade de ler a sua história ou comprá-la.

Mas como fazer uma frase realmente impactante, que dê o tom da história e faça o leitor morrer de curiosidade para ler sua história?

Continuar lendo “Comece com uma frase de impacto!”

[Freebie]: Quadro planejamento (JDH)

É com muito orgulho que trago esse freebie para vocês (pode baixar e imprimir, mas não pode copiar e dizer que foi você que inventou, ein?). Essa é uma técnica que eu uso.

Clica na imagem abaixo!

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Quer saber mais sobre como utilizar essa técnica? Corre no meu IGTV.

Beijos

Originalidade vs Intolerância ao novo

Uma vez li (desculpe, já me esqueci onde) que nossa percepção da verdade se acostuma com uma resposta e qualquer abordagem diferenciada é simplesmente incompreensível. Esse fato me deixou pensando bastante a respeito de como nos tornamos intolerantes ao novo.

Foi mais ou menos na mesma época em que recebi uma crítica ao meu livro de ficção científica chamado Silêncio no Fim da Galáxia (a primeira versão no Wattpad escrita em 2018) sobre como minha história, figurando o primeiro lugar no ranking de Ficção Científica, nada tinha de científica, visto que misturava fantasia nela. Continuar lendo “Originalidade vs Intolerância ao novo”

[Resenha] Vox – Christina Dalcher

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Se você pudesse falar apenas 100 palavras por dia, o que faria para ser ouvida?!

Essa é a premissa de mais uma distopia em que a mulher é retratada de forma degradante na sociedade, algo que embora seja problemático pois cria status quo de opressão, abre margem para debates essenciais na vivência do mundo moderno, em que vivemos essa opressão de forma mascarada dentro da sociedade na qual deveríamos nos sentir seguras.

O livro é interessante, Jean Macllean é ex-cientista neurolinguística. É “ex” porque o estado totalitário religioso não permite que mulheres trabalhem, tenham contas em banco ou falem mais do que 100 palavras por dia. As mulheres são propriedades do homem da casa, seus maridos, seus irmãos, seus pais, tios e avós.

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[Devaneios]: Colinas como Elefantes Brancos de Hemingway

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Faleceu aos 57 anos, mas foi um dos mais importantes autores norte-americanos, ganhador do Prêmio Nobel e do Prêmio Pulitzer. Ernest Hemingway é conhecido por obras como Por quem os Sinos Dobram, O velho e o Mar, etc… São pelo menos 28 projetos literários, desde romances, não-ficção e contos (ou antologias). Continuar lendo “[Devaneios]: Colinas como Elefantes Brancos de Hemingway”